Patentes

Pernambucano é o maior inventor do Brasil

Notícia publicada pela folha de São Paulo em 22/02/08, dá conta de que o cliente da Escobar Advocacia, o médico pernambucano Luiz Gonzaga Granja Filho, é a pessoa física que mais depositou patentes no sistema internacional de PCT no ano de 2007.

No ranking geral de patentes originadas do Brasil, mesmo competindo com indústrias de porte multinacional, Gonzaga figura na segunda colocação.

Veja abaixo a íntegra da matéria.

São Paulo, sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Número de patentes do Brasil decepciona ONU

Apesar do crescimento de 15% em 2007, país ocupa a 24ª posição mundial em quantidade de registros

MARCELO NINIO
DE GENEBRA

Apesar de ter crescido 15,3% no ano passado, o número de patentes internacionais registradas pelo Brasil em 2007 foi considerado decepcionante pela agência da ONU responsável pelo setor, a Ompi (Organização Mundial de Propriedade Intelectual). Os Estados Unidos continuam liderando o ranking de países com maior número de invenções, mas é uma empresa do Japão que ocupa o topo da lista.

Segundo o relatório anual divulgado ontem, 384 patentes foram registradas em 2007 por empresas ou indivíduos do Brasil, colocando o país em 24º lugar entre os 138 signatários do Tratado de Cooperação de Patentes. Isso significou uma melhora de quatro posições em relação ao ranking anterior.
"Diante do tamanho da economia brasileira, esperávamos um número maior", disse o vice-diretor-geral da Ompi Francis Gurry, responsável por monitorar o tratado. Para ele, o baixo número de patentes significa que o investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil deixa a desejar, além de indicar um modelo econômico que ainda privilegia a exploração de matérias-primas, não o desenvolvimento de produtos manufaturados e tecnologia.

"Mas isso está mudando, como mostra a Embraer, que atua num dos setores de maior nível de inovação, o da aviação."

Entre os Brics, a China é o país mais bem colocado, na 7ª posição com 5.456 patentes. Em seguida aparecem Índia (19ª) e Rússia (22ª), deixando o Brasil na lanterna.

O número de patentes creditadas a um país não significa necessariamente que foram feitas por empresas nacionais. No caso do Brasil, por exemplo, o líder em registros em 2007 foi o fabricante de eletrodomésticos americano Whirlpool, com 17. Em seguida vêm Luiz Gonzaga Granja Filho, com dez, e outra companhia estrangeira, Carrier Corporation, com nove.

Das 384 patentes com origem brasileira, só uma pequena parcela foi registrada por grandes empresas, segundo a organização. "O interessante é que a grande maioria delas foi enviada por pequenos inventores e empresas", disse Catherine Jewell, porta-voz da organização.

O ranking divulgado ontem pela agência da ONU mostra que os Estados Unidos continuam sendo, de longe, a grande potência inovadora do mundo, com 52.280 patentes em 2007, o equivalente a 33,5% do total. Mas também indica que países asiáticos, como Japão e China, estão avançando rapidamente.

A Ompi recebeu em 2007 o número recorde de 156.100 patentes do mundo inteiro, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. No topo do ranking está o conglomerado japonês Matsushita, com 2.100 registros, que tirou o primeiro lugar da companhia holandesa Philips (2041). Em terceiro está a alemã Siemens (1.644).

Custo desestimula novos registros, afirma inventor

MARINA GAZZONI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O cirurgião cardiovascular pernambucano Luiz Gonzaga Granja Filho, 45, se diz um inventor nato. De técnicas cirúrgicas, medicamentos e até inovações para sapatos, ele perdeu as contas de inventos não registrados pelos altos custos das patentes.

Com dez registros em 2007 -resultando em 43 no total- , Gonzaga ficou em segundo lugar no ranking da Ompi no Brasil. Sem recursos próprios, ele busca parcerias com investidores para depositar novas patentes.

O investimento em inovação de 2,5% do faturamento contribuiu para a Whirpool, fabricante das marcas Brastemp e Consul, ficar em primeiro com 17 pedidos de patente em 2007, somando 721 no total. "Os engenheiros têm de cumprir metas de idéias que podem gerar patentes," disse o gerente de tecnologia de lavanderia, Marcelo Fischer.

Além do custo, Sylvio Ortega, da PHB Industrial, quarta colocada, cita a falta de cultura de proteção do patrimônio intelectual como um entrave.



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